ANGICO DOS DIAS NOTÍCIAS.
EDIÇÃO DE Nº 3223.
CAMPO ALEGRE DE LOURDES/ BA, BRASIL.
e-mail: angicodosdias2014@gmail.com
quinta 23/ 04/ 2026.
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meio à escalada da desindustrialização provocada pelas políticas da extrema
direita, Whirlpool confirmou o fechamento definitivo de unidade em Pilar e transferirá
operação de R$ 183 milhões para Rio Claro/SP.
A Whirlpool é a maior fabricante
mundial de eletrodomésticos, produzindo principalmente itens de linha branca
(refrigeração, lavagem e cocção) sob marcas como Brastemp, Consul e KitchenAid.
No Brasil, a
empresa fabrica refrigeradores, freezers, lavadoras de roupas, secadoras,
fogões, cooktops, fornos e purificadores de água
Whirlpool, multinacional que controla
as marcas Brastemp e Consul, oficializou a transferência para Rio Claro (SP) da
produção que mantinha em Pilar, na Argentina, num movimento que amplia o
esvaziamento industrial do país vizinho sob o governo de Javier Milei. A
decisão foi aprovada pelo conselho da companhia em 20 de abril de 2026 e
comunicada ao mercado pela operação brasileira do grupo.
Em comunicado oficial ao mercado, a
Whirlpool afirma que a mudança faz parte de um processo de “eficiência
operacional”, “otimização da capacidade instalada” e “alocação de recursos”. Na
prática, a medida consolida o fechamento da planta argentina, comunicado ainda
em novembro de 2025, e transfere ao Brasil uma operação antes instalada em Pilar.
LEIA MAIS: Argentina de Milei:
indústria cai 8,7% e empresas trocam fábricas por importados
Whirlpool
tira produção da Argentina e concentra operação em Rio Claro.
Segundo a companhia, a produção antes
realizada na unidade argentina será absorvida pela fábrica de Rio Claro, no
interior paulista, dentro de um cronograma de transição com adaptações
operacionais e logísticas. A empresa sustenta que a unidade brasileira tem
capacidade para internalizar essa manufatura.
O passo decisivo apareceu também em
documento de transação com parte relacionada, no qual a Whirlpool informa a
compra, em 23 de janeiro de 2026, de ativos industriais e bens operacionais da
filial argentina. O valor estimado da operação é de US$ 36,7 milhões, o
equivalente a cerca de R$ 194,1 milhões na data-base considerada pela
companhia.
Fechamento de Pilar se soma à
deterioração industrial na Argentina.
A Whirlpool não atribui formalmente a
decisão ao governo Milei. Mas o caso se encaixa num quadro mais amplo de
retração da indústria argentina sob a agenda de austeridade, abertura comercial
e desregulamentação. Reportagem da agência Reuters mostrou, ainda em 2025, que
fábricas no país vinham fechando ou reduzindo produção diante da queda do
consumo e da pressão de importados mais baratos.
Os dados oficiais reforçam esse
ambiente. Segundo o INDEC, o índice de produção industrial manufatureiro da
Argentina caiu 8,7% em fevereiro de 2026 na comparação anual, e o acumulado do
primeiro bimestre recuou 6,0%. O fechamento da unidade da Whirlpool em Pilar,
portanto, não aparece como episódio isolado, mas como parte de uma sequência de
perda de fôlego do setor.
Na própria cobertura da Fórum sobre o
fechamento de fábricas e demissões em massa na Argentina, o enfraquecimento da
base produtiva já vinha sendo apontado como um dos efeitos mais visíveis do
receituário ultraliberal adotado por Milei.
Em outro episódio recente, a greve
geral contra a reforma trabalhista do governo foi deflagrada em meio ao colapso
da atividade industrial e ao fechamento de empresas.
Brasil fica com a produção; Argentina
vira mercado de destino.
Para reduzir o impacto comercial do
fechamento, a Whirlpool informou que a Argentina continuará sendo abastecida
por produtos fabricados em outras unidades do grupo e distribuídos pela
operação local. O ponto central, porém, é outro: a manufatura que antes gerava
atividade industrial em Pilar será feita no Brasil.
Rio Claro já ocupava lugar
estratégico no mapa industrial da companhia. Com a transferência agora
formalizada, a unidade paulista ganha ainda mais peso regional.
O movimento reforça um contraste
político e econômico: enquanto a Argentina de Milei perde densidade produtiva,
o Brasil absorve capacidade industrial, ativos e parte da centralidade fabril
da multinacional.




