ANGICO DOS DIAS NOTÍCIAS
EDIÇÃO DE Nº 3370.
CAMPO ALEGRE DE LOURDES/ BA, BRASIL.
segunda - feira, 02/ 09/ 2026.
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nvestigação
do GOE revela que cobranças a familiares de detentos financiavam empresa de
fachada em Porto de Galinha.
O
policial penal Emanoel França de Lima, ex-diretor do Presídio de Vitória de
Santo Antão, foi preso nesta terça-feira durante a operação Controle Paralelo,
deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco.
As investigações iniciadas em 2022 a
pedido do Ministério Público apontam que o servidor público era um dos
beneficiados por um esquema de corrupção e extorsão mantido com a cooperação de
presidiários que atuavam como chaveiros no comando dos pavilhões.
De acordo com o delegado Jorge
Pinto, do Grupo de Operações Especiais, (GOE), os detentos que exerciam o
controle paralelo cobravam valores indevidos de outros encarcerados para o uso
de camas e compra de produtos em cantinas.
Sob ameaça de agressões físicas, os
familiares das vítimas eram coagidos a realizar as transferências financeiras,
que eram posteriormente lavadas por meio de uma empresa de comércio de camarões
em Porto de Galinhas pertencente a um dos chaveiros, que atualmente se encontra
foragido.
Um ex-secretário, um ex-diretor de
presídio, oito policiais penais e três detentos viraram réus acusados de
participar de um esquema envolvendo organização criminosa, corrupção,
prevaricação (quando um funcionário público atrasa, deixa de fazer ou faz algo
indevidamente em benefício próprio), favorecimento real impróprio, (facilitar a
entrada de aparelhos de comunicação em estabelecimentos prisionais sem
autorização legal), violação de sigilo funcional, tráfico de drogas e tráfico
de influência no Presídio de Igarassu no Grande Recife.
Segundo a denúncia do Ministério
Público de Pernambuco (MPPE), o grupo, entre os anos de 2018 e 2024, se
associaram de forma estruturalmente ordenada e com divisão de tarefas no
Presídio de Igarassu para obter vantagens mediante a prática de infrações
penais.
As investigações da Operação La
Catedral tiveram início a partir de evidências colhidas em uma operação
intitulada Manguezais, que obteve a quebra telemática do email de Lyferson
Barbosa da Silva, então recolhido no Presídio de Igarassu.
Lyferson, além de ser o chaveiro de
pavilhão, exercia poder financeiro e influência relevante na rotina da unidade
prisional.
Ele é acusado de intermediar
frequentemente a comunicação com os servidores da unidade, incluindo o
ex-diretor Charles Belarmino de Queiroz e o chefe de segurança e disciplina
Eronildo José dos Santos.
"Verificou-se que as negociações
ilícitas, viabilizadas por pagamentos em espécie ou transferências bancárias,
garantiam privilégios indevidos aos internos com grave comprometimento da
ordem, disciplina e segurança do Presídio de Igarassu", diz a denúncia do
MPPE.
Ainda de acordo com a denúncia,
Charles Belarmino, que foi diretor da unidade de 1 de abril de 2016 até 02 de
dezembro de 2024, detinha o domínio completo dos fatos que ocorriam no local,
"utilizando sua autoridade formal e poder hierárquico não para reprimir
ilícitos, mas para garantir a manutenção e a estabilidade de um esquema
criminoso que subverteu completamente a finalidade da execução penal,
transformando a unidade prisional em um ambiente de criminalidade institucionalizada
e mercantilizada".
Com a prisão preventiva de Charles
Belarmino e o cumprimento de busca e apreensão, ocorreu a segunda fase da
Operação La Catedral, que teve como alvo André de Araújo Albuquerque, então
secretário executivo de Administração Penitenciária de Pernambuco (Seap-PE).
A denúncia também menciona o vídeo de
6 de setembro de 2024, em que o secretário André Albuquerque recebe valores em
espécie de Charles Belarmino no gabinete da direção do presídio.
A investigação da Polícia Federal
(PF) mostrou que detentos do Presídio de Igarassu tinham acesso a prostitutas,
comidas por delivery e até festas regadas a uísque, cerveja e pagode.
De acordo com a investigação,
Lyferson também intermediava a entrada de visitantes sem vínculo familiar com
os presos, o que seria irregular, além do ingresso de alimentos não autorizados
e de aparelhos eletrônicos nas celas, como TVs, freezers e celulares. Caberia a
ele, ainda, negociar devoluções desses equipamentos em caso de apreensão.
Confira a lista de réus e
quais seriam suas participações no esquema:
1- Charles Belarmino de Queiroz,
ex-diretor do Presídio de Igarassu, acusado de estabelecer e liderar uma
organização criminosa para obter vantagens econômicas indevidas, cometendo
crimes de corrupção, tráfico de drogas, prevaricação e facilitação de ingresso
de aparelhos telefônicos;
2- André de Araújo Albuquerque,
ex-secretário executivo de Administração Penitenciária de Pernambuco (Seap-PE).
Acusado de recever vantagem econômica indevida diretamente vinculada à sua
atuação e à proteção que dava ao esquema;
3- Eronildo José dos Santos, ex-chefe
de segurança e disciplina do Presídio de Igarassu. Acusado de conceder regalias
indevidas, como permitir a entrada de objetos e substâncias ilícitas;
4- Newson Motta da Costa Neto, policial
penal. Acusado de facilitar entrada de ilícitos, receber vantagens indevidas e fornecer
informações sigilosas;
5- Cecília da Silva Santos, policial
penal. Acusada de manter uma relação íntima, afetiva e amorosa com Lyferson, o
que extrapolaria os limites da relação profissional e legal permitida entre
agente público e pessoa privada de liberdade. Aceitou vantagens econômicas
indevidas;
6- Moisés Xavier da Silva, policial
penal. Acusado de manter comunicação direta e ilícita com Lyferson;
7- Ernande Eduardo Freire Cavalcanti,
policial penal. Acusado de manter comunicação ilícita e frequente com internos
sob sua custódia;
8- Everton de Melo Santana, policial
penal. Acusado de manter comunicação direta, recorrente e ilícita com Lyferson,
e praticar de forma reiterada atos de corrupção e prevaricação;
9- Reginaldo Ferreira Aniceto, policial
penal. Também acusado de manter comunicação direta e ilícita com Lyferson,
praticar atos de corrupção e prevaricação;
10- Edinaldo José da Silva, policial
penal. Outro acusado de comunicação direta, frequente e imprópria com Lyferson;
11 - Lyferson Barbosa da Silva,
detento, atualmente preso na Penitenciária Federal de Campo Grande-MS, tem
diversas passagens por homicídio e latrocínio.
Acusado
de exercer papel central e de liderança operacional na organização criminosa e
comandar um vasto esquema de corrupção, tráfico de drogas em larga escala e
manutenção de regalias;
12- Edgleisson Carlos Alves dos
Santos, detento, atualmente preso na Penitenciária de Tacaimbó. Acusado de ser
uma das principais lideranças do presídio. Também seria chaveiro e responsável
pelo repasse de valores a Charles Belarmino;
13- Antonio de Souza Sobrinho,
detento, atualmente preso no PB1, em João Pessoa-PB. Acusado de integrar o
núcleo central da organização criminosa, atuando como elo estratégico entre os
interesses dos internos e a cúpula administrativa;
14- Edilma Alves Francisco de
Andrade, cirurgiã-dentista. Acusada de estabelecer comunicação direta e
imprópria com internos da unidade e receber vantagens econômicas indevidas em
razão de sua função.
Fonte: ttodeolho