ANGICO DOS DIAS NOTÍCIAS.
EDIÇÃO DE Nº 3230.
CAMPO ALEGRE DE LOURDES/ BA, BRASIL.
e-mail: angicodosdias2014@gmail.com
domingo 13/ 05/ 2026.
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eportagem revela áudios e mensagens supostamente trocadas um dia antes da prisão do ex-banqueiro; senador relatou dificuldades para dar seguimento à produção do longa “Dark Horse”.
Foto: Jornal Opção.
O senador e pré-candidato à Presidência da
República, Flávio Bolsonaro, (PL-RJ), negociou um repasse de US$ 24 milhões,
cerca de R$ 134 milhões, diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do
Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro
segundo reportagem divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Intercept Brasil.
A reportagem afirma ter tido acesso a
áudios, mensagens, documentos e comprovantes bancários ligados à negociação
entre os envolvidos. Os recursos seriam destinados à produção do longa “Dark
Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do pai de Flávio, o
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Documentos mostram que pelo menos US$
10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de
2025 em seis transferências bancárias para financiar o projeto.
Áudio...
Em uma mensagem de áudio enviada por
Flávio a Vorcaro, o senador relata que está passando por momentos de
dificuldade para conseguir arcar com os custos da produção. O longa é dirigido
pelo cineasta Cyrus Nowrasteh e estrelado pelo ator Jim Caviezel.
“Apesar de você ter dado a liberdade,
Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas,
enfim, é porque está num momento muito decisivo aqui do filme.
E como tem muita parcela para trás,
cara, está todo mundo tenso, e eu fico preocupado aqui com o efeito ao
contrário do que a gente sonhou para o filme, né? Imagina a gente dando calote
num Jim Caviezel, num Cyrus, uns caras, pô, renomadíssimos lá no cinema
americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, declarou Flávio a Vorcaro.
Em seguida, Flávio cobra Vorcaro para
dar continuidade aos pagamentos e diz que está correndo o risco de “não honrar
compromissos”.
“Então, se você puder me dar um
toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da
vida, porque eu já tenho muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte
também.
E agora que é a reta final, que a
gente não pode vacilar. Não pode não honrar com os compromissos aqui, porque
senão a gente perde tudo, cara, todo o contrato, perde ator, perde diretor,
perde equipe, perde tudo. Pode me dar um toque aí, irmão”, completou.
Veja transcrição do áudio.
“Irmão, eu preferi te
mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por
um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser
daqui pra frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí.
E você também, eu sei que você tá
passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, não... Não
sei se você sabe exatamente como é que vai caminhar isso tudo.
E apesar de você ter dado a
liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te
cobrando, tá? Mas, enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme.
E como tem muita parcela pra trás,
cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário
do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim
Caviezel, num Cyrus, uns caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano,
mundial.
Pô, ia ser muito ruim, né? Todo
efeito positivo que a gente tem certeza que vai vim com esse filme, pode ser o
efeito elevado a menos um aí, cara.
Então, se você puder me dar um toque,
uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida,
porque eu já tenho muita conta pra pagar esse mês e o mês seguinte também.
E agora que é a reta final, que a
gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque
senão a gente perde tudo, cara, todo o contrato, perde ator, perde diretor,
perde equipe, perde tudo. Se puder me dar um toque aí, irmã_o.
Desculpa o áudio
longo. Um abração. Fica com Deus, cara.“
Mensagens...
Nas
mensagem reveladas pelo Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro trata Vorcaro como
irmão. Flávio Bolsonaro também aparece combinando encontros e diz que “não há
meia conversa entre eles”.
Veja transcrição dos diálogos...
15 DE NOVEMBRO DE 2025
Daniel
Vorcaro
“Fala irmao
Tava trânsito voo o tem”
15:46
Flavio Bolsonaro
“Fala mermao
Pode atender?”
15:47
16 DE NOVEMBRO DE 2025
Daniel Vorcaro
“Fala irmaozao ro na
igreja
terminando te chamo”
10:37
Flavio Bolsonaro.
“[Imagem de Visualização
Única]”
15:38
“[Imagem de Visualização
Única]”
15:43
“Irmão, estou e estarei contigo sempre,
não tem meia conversa entre a gente.
Só preciso que me dê uma luz! Abs!”
15:46
Daniel
Vorcaro
“[Imagem de Visualização
Única]”
15:52
Flavio Bolsonaro
“Amém!”
15:53
No dia seguinte à mensagem de Flávio, Daniel Vorcaro foi preso no
Aeroporto Internacional de Guarulhos, tentando embarcar para Dubai. Em 18 de
novembro de 2025, dois dias depois do áudio enviado a Vorcaro, o Banco Master
foi liquidado pelo Banco Central.
Outro lado.
Flávio Bolsonaro se pronunciou, por
meio de nota, que "o aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado
para um filme privado sobre a história do próprio pai".
"Zero de dinheiro público. Zero
de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo
Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas
públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento
das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme", afirmou Flávio.
O pré-candidato pede que seja
instalada a CPI do Master e diz que não promoveu nenhuma vantagem em troca.
"Não
ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não
intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem.
Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus
representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master já",
completou.
Mais
cedo, em entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (13) na porta do STF
(Supremo Tribunal Federal), após encontro com o ministro Edson Fachin, Flávio
Bolsonaro foi questionado sobre os repasses e negou as acusações.
“É
mentira. De onde você tirou isso? Ah, irmão, pelo amor de Deus. Aí não dá.
Obrigado, jornalistas. Bom trabalho. Militante, saia... é dinheiro privado, é
dinheiro privado”, declarou e saiu em direção ao carro.



