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Jornal Edição da Manhã

05 novembro 2026

O extremista Santiago Peña presidente do Parsaguaí renunciou, depois da quebra do Banco Ueno.

ANgICO DOS DIAS NOTÍCIAS

EDIÇÃO DE Nº 3486.

       CAMPO ALEGRE DE LOURDES/ BA,  BRASIL.

QUINTA- FEIRA, 04/ 11/ 2026.  

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antiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai no início da tarde desta quinta-feira, 05 de novembro, em pronunciamento gravado divulgado nas redes sociais.

          A decisão foi anunciada depois de o Banco Central do Paraguai decretar a resolução do Ueno Bank, na segunda-feira, 2 de novembro, e horas depois de a Câmara dos Deputados abrir sessão extraordinária para votar um pedido de impeachment contra ele.

          Segundo a CNN Brasil, o Congresso paraguaio precisa aceitar a renúncia para que ela produza efeito.

          Peña assumiu o cargo em 15 de agosto de 2023, com mandato previsto até 2028. No vídeo, afirmou que tomou a decisão “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”. Disse também que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”.

          BCP decreta resolução do Ueno; Câmara abre impeachment.

          O Ueno Bank atende cerca de 2,9 milhões de clientes, o equivalente a 40% da população paraguaia, e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previsión Social (IPS).

          O Banco Central do Paraguai (BCP) informou que a solvência da instituição caiu abaixo de 50% do mínimo exigido após ajustes nos estados financeiros. A resolução foi aprovada por unanimidade pelo Diretório do BCP.

          Com a decisão, as operações do banco foram suspensas e os clientes ficaram sem acesso a contas e investimentos.

          A Justiça paraguaia ordenou a prisão de oito executivos da instituição, e a Fiscalía imputou 27 pessoas, entre diretores do banco e dirigentes de empresas ligadas ao grupo controlador.

          O presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Ele havia presidido a Financiera Ueno antes de assumir a autoridade monetária.

       O Banco Central fixou garantia de até G. 228,3 milhões por depositante, equivalentes a 75 salários mínimos. O primeiro pagamento anunciado chegou a G.

          10 milhões, cerca de R$ 9.200. A Superintendência de Valores do Paraguai suspendeu temporariamente os resgates de 13 fundos administrados por cinco instituições financeiras.

          O BCP sustenta que o caso é específico do Ueno e não indica crise generalizada do sistema financeiro paraguaio.

          Na Câmara dos Deputados, 35 parlamentares apresentaram na quarta-feira, 4 de novembro, um libelo acusatório contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, com base no artigo 225 da Constituição.

        O documento aponta conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos do IPS e encobrimento de irregularidades pelo BCP.

       A sessão desta quinta-feira começou com 77 deputados presentes, e a oposição projetava votação unânime. 

      O libelo sustenta que Peña mantinha ações da Ueno Holding avaliadas em G. 6,144 bilhões, o equivalente a 1,58% do capital, e um certificado de depósito de G. 2,4 bilhões na então Financiera Ueno. Ele se desvinculou da sociedade em 2025.

          O documento também aponta que os depósitos do IPS no banco cresceram 3.035% e chegaram a G. 2,2 trilhões, cerca de US$ 333 milhões, quase 11% da carteira do instituto, acima do limite legal de 10%.

           Os deputados citam ainda créditos de G. 743,784 bilhões, cerca de US$ 123 milhões, concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador, o equivalente a 30% do patrimônio efetivo do banco, acima do limite de 20%.

          O texto afirma que a presidência do BCP avalizou uma cessão de carteira e adiou a intervenção. Peña nega irregularidades e afirma que os responsáveis responderão perante a Justiça.

          A crise também atingiu a política partidária. O presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), Horacio Cartes, manifestou apoio ao impeachment.

         Senadores e deputados do Partido Colorado anunciaram voto favorável à saída do presidente. A oposição confirmou seis deputados para atuar como fiscais acusadores no Senado, caso o libelo seja aprovado.

          Brasileiros ficam com dinheiro retido no Ueno

O colapso do Ueno atinge brasileiros que apostaram no Paraguai como destino de investimento e de moradia.

          O Brasil é o maior investidor estrangeiro no país, com US$ 2,19 bilhões em investimentos diretos acumulados até dezembro de 2025, cerca de 15% do capital estrangeiro, segundo o Banco Central do Paraguai. O jornal O Globo ouviu brasileiros e descendentes com dinheiro retido no banco.

          Um engenheiro de software carioca que vive no Paraguai há três anos resumiu a situação: “Quem era empresário está de boa, porque tem fluxo de caixa e também várias contas. Tem uma galera que só tinha Ueno e ficou apertada.”

          O Ueno atraía clientes pela facilidade de abrir conta pelo aplicativo, sem comprovação de origem dos recursos, e pela adesão ao Pix em dezembro de 2025.

          Segundo o Correio do Estado, 95% dos pedidos de residência atendidos nos mutirões de regularização migratória do Paraguai são de brasileiros.

          Entre janeiro e setembro de 2026, a Direção Nacional de Migrações recebeu 49.538 pedidos, número que já supera todo o ano de 2025, quando foram registrados 47.687 pedidos, alta de 63% sobre 2024. Mais de 23 mil autorizações foram concedidas a brasileiros.

           Parte desse movimento tem motivação política. Segundo relatos na tríplice fronteira, o Paraguai se tornou destino de bolsonaristas após a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição de 25 de outubro.

           O governo paraguaio retomou em 2 de novembro os mutirões de regularização migratória, começando por Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná.

        O discurso que apresenta o Paraguai como paraíso fiscal e refúgio político ganhou força nas redes bolsonaristas, segundo a Revista Fórum.

      Até agora, não foi divulgado balanço com recorte por nacionalidade dos depositantes do Ueno, e o tamanho do prejuízo de brasileiros não está medido em nenhum documento público.

          O senador oposicionista Rafael Filizzola estimou à agência France-Presse um prejuízo superior a US$ 3 bilhões. Nas ruas de Assunção, o aposentado Marcelino Vergara, de 68 anos, resumiu a dimensão individual da quebra: “Perdi todas as economias da minha vida, só tenho 8 mil guaranis. Todos devem ir para a prisão.”

          Na fronteira com o Paraná, a crise do Ueno afeta o comércio de Ciudad del Este. A Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) alertou que o bloqueio das movimentações pode comprometer pagamentos e vendas de lojas que dependem do banco.

          O Banco Central do Paraguai afirma que a situação está concentrada no Ueno, mas o episódio expõe a fragilidade de um sistema que atraiu poupança de brasileiros e paraguaios com a promessa de rendimentos altos e pouca burocracia.

          Com a renúncia, o Congresso paraguaio decide nos próximos dias se aceita a saída de Peña ou se leva adiante o impeachment. Se a renúncia for aceita, o vice-presidente Pedro Alliana assume a Presidência.

          A crise do Ueno Bank deixa milhões de clientes sem acesso pleno ao dinheiro e uma pergunta sem resposta oficial: quantos brasileiros estão nessa fila.

Fonte: Blog do Esmael.

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