ANgICO
DOS DIAS NOTÍCIAS
EDIÇÃO DE Nº 3486.
CAMPO ALEGRE
DE LOURDES/ BA, BRASIL.
QUINTA- FEIRA, 04/ 11/ 2026.
Email angicodosdiasnoticias2014@gmail.com
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Peña renunciou à Presidência do Paraguai no início da tarde desta quinta-feira,
05 de novembro, em pronunciamento gravado divulgado nas redes sociais.
A decisão foi anunciada depois de o Banco Central do Paraguai decretar a resolução do Ueno Bank, na segunda-feira, 2 de novembro, e horas depois de a Câmara dos Deputados abrir sessão extraordinária para votar um pedido de impeachment contra ele.
Segundo
a CNN Brasil, o Congresso paraguaio precisa aceitar a renúncia para que ela
produza efeito.
Peña assumiu o cargo em 15 de agosto de 2023, com mandato previsto até 2028. No vídeo, afirmou que tomou a decisão “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”. Disse também que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”.
BCP decreta resolução do Ueno; Câmara abre impeachment.
O Ueno Bank atende cerca de 2,9
milhões de clientes, o equivalente a 40% da população paraguaia, e concentrava
cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto
de Previsión Social (IPS).
O Banco Central do Paraguai (BCP)
informou que a solvência da instituição caiu abaixo de 50% do mínimo exigido
após ajustes nos estados financeiros. A resolução foi aprovada por unanimidade
pelo Diretório do BCP.
Com a decisão, as operações do banco foram
suspensas e os clientes ficaram sem acesso a contas e investimentos.
A Justiça paraguaia ordenou a prisão
de oito executivos da instituição, e a Fiscalía imputou 27 pessoas, entre
diretores do banco e dirigentes de empresas ligadas ao grupo controlador.
O presidente do BCP, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Ele havia presidido a Financiera Ueno antes de assumir a autoridade monetária.
O Banco Central fixou
garantia de até G. 228,3 milhões por depositante, equivalentes a 75 salários
mínimos. O primeiro pagamento anunciado chegou a G.
10 milhões, cerca de R$ 9.200. A
Superintendência de Valores do Paraguai suspendeu temporariamente os resgates
de 13 fundos administrados por cinco instituições financeiras.
O BCP sustenta que o caso é
específico do Ueno e não indica crise generalizada do sistema financeiro paraguaio.
Na Câmara dos Deputados, 35
parlamentares apresentaram na quarta-feira, 4 de novembro, um libelo acusatório
contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, com base no artigo 225 da
Constituição.
O documento aponta conflito de
interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos do IPS e encobrimento
de irregularidades pelo BCP.
A sessão desta quinta-feira começou com 77 deputados presentes, e a oposição projetava votação unânime.
O libelo sustenta que Peña mantinha ações
da Ueno Holding avaliadas em G. 6,144 bilhões, o equivalente a 1,58% do
capital, e um certificado de depósito de G. 2,4 bilhões na então Financiera
Ueno. Ele se desvinculou da sociedade em 2025.
O documento também aponta que os depósitos do IPS no banco cresceram 3.035% e chegaram a G. 2,2 trilhões, cerca de US$ 333 milhões, quase 11% da carteira do instituto, acima do limite legal de 10%.
Os deputados citam ainda
créditos de G. 743,784 bilhões, cerca de US$ 123 milhões, concedidos a empresas
ligadas ao grupo controlador, o equivalente a 30% do patrimônio efetivo do
banco, acima do limite de 20%.
O texto afirma que a presidência do BCP avalizou uma cessão de carteira e adiou a intervenção. Peña nega irregularidades e afirma que os responsáveis responderão perante a Justiça.
A crise também atingiu a política
partidária. O presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), Horacio
Cartes, manifestou apoio ao impeachment.
Senadores e deputados do Partido
Colorado anunciaram voto favorável à saída do presidente. A oposição confirmou
seis deputados para atuar como fiscais acusadores no Senado, caso o libelo seja
aprovado.
Brasileiros ficam com dinheiro retido
no Ueno
O colapso do Ueno atinge
brasileiros que apostaram no Paraguai como destino de investimento e de
moradia.
O Brasil é o maior investidor
estrangeiro no país, com US$ 2,19 bilhões em investimentos diretos acumulados
até dezembro de 2025, cerca de 15% do capital estrangeiro, segundo o Banco
Central do Paraguai. O jornal O Globo ouviu brasileiros e descendentes com
dinheiro retido no banco.
Um engenheiro de software carioca que vive no Paraguai há três anos resumiu a situação: “Quem era empresário está de boa, porque tem fluxo de caixa e também várias contas. Tem uma galera que só tinha Ueno e ficou apertada.”
O Ueno atraía clientes pela
facilidade de abrir conta pelo aplicativo, sem comprovação de origem dos
recursos, e pela adesão ao Pix em dezembro de 2025.
Segundo o Correio do Estado, 95% dos
pedidos de residência atendidos nos mutirões de regularização migratória do
Paraguai são de brasileiros.
Entre janeiro e setembro de 2026, a
Direção Nacional de Migrações recebeu 49.538 pedidos, número que já supera todo
o ano de 2025, quando foram registrados 47.687 pedidos, alta de 63% sobre 2024.
Mais de 23 mil autorizações foram concedidas a brasileiros.
Parte desse movimento tem motivação
política. Segundo relatos na tríplice fronteira, o Paraguai se tornou destino
de bolsonaristas após a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) na eleição de 25 de outubro.
O governo paraguaio retomou em 2 de
novembro os mutirões de regularização migratória, começando por Ciudad del
Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná.
O discurso que apresenta o Paraguai como paraíso fiscal e refúgio político ganhou força nas redes bolsonaristas, segundo a Revista Fórum.
Até agora, não foi
divulgado balanço com recorte por nacionalidade dos depositantes do Ueno, e o
tamanho do prejuízo de brasileiros não está medido em nenhum documento público.
O senador oposicionista Rafael
Filizzola estimou à agência France-Presse um prejuízo superior a US$ 3 bilhões.
Nas ruas de Assunção, o aposentado Marcelino Vergara, de 68 anos, resumiu a
dimensão individual da quebra: “Perdi todas as economias da minha vida, só
tenho 8 mil guaranis. Todos devem ir para a prisão.”
Na fronteira com o Paraná, a crise do
Ueno afeta o comércio de Ciudad del Este. A Associação de Importadores e
Comerciantes do Paraguai (Asimcopar) alertou que o bloqueio das movimentações
pode comprometer pagamentos e vendas de lojas que dependem do banco.
O Banco Central do Paraguai afirma
que a situação está concentrada no Ueno, mas o episódio expõe a fragilidade de
um sistema que atraiu poupança de brasileiros e paraguaios com a promessa de
rendimentos altos e pouca burocracia.
Com a renúncia, o Congresso paraguaio
decide nos próximos dias se aceita a saída de Peña ou se leva adiante o
impeachment. Se a renúncia for aceita, o vice-presidente Pedro Alliana assume a
Presidência.
A crise do Ueno Bank deixa milhões de
clientes sem acesso pleno ao dinheiro e uma pergunta sem resposta oficial:
quantos brasileiros estão nessa fila.
Fonte: Blog do Esmael.

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